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Geral - 09/11/2016
Por que o setor de TI é tão afetado pela crise

Por Klaus Ehmke

As empresas brasileiras de Tecnologia continuam sofrendo com resultados ruins. Ano a ano as margens vem reduzindo e os prejuízos vem se acumulando. Até 2008 não era anormal ver projetos com margens de 40% ou mais. Aliás, era meta um lucro bruto de pelo menos 35%, para pagar os overheads, imposto de Renda e terminar com um lucro líquido de 10% a 12%. Atualmente está difícil de encontrar projetos com lucro bruto maior que 20%.

A crise de 2015 afetou significativamente o mercado brasileiro de TI, e continua afetando em 2016. Com as finanças fragilizadas e o agravamento da crise, os resultados de 2016 tendem a ser piores. A Akurat Consultoria analisou o resultado de 30 empresas representativas do setor de Tecnologia, e a conclusão não deve ser uma surpresa para ninguém, 2015 é um ano para ser esquecido pela maioria das empresas, mas o problema e que 2016 pode ser pior.

A questão é: Por que o setor de TI é tão afetado na crise?

As empresas reduziram seus investimentos em tecnologia? A teoria geral é que na crise as empresas usam da tecnologia para reduzir custos e melhorar eficiência e margens, portanto não deveriam reduzir os investimentos em TI, mas, na pratica isso não se confirma.

As empresas analisadas tiveram um crescimento de receita de R$ 19,8 bilhões para R$ 21,1 bilhões equivalente a 6,5%, o que em um ano com uma inflação de 10,7% (IPCA - 2015), representa uma redução real das receitas. Somente 44% das empresas analisadas tiveram crescimento de receitas acima da inflação do período.

O Governo ainda é um dos maiores consumidores de TI no Brasil, e muitas empresas tem boa parte de seus resultados dependentes dos contratos com o governo. Em 2015 e 2016 as empresas de TI sofreram muito com a inadimplência do governo, e diferentemente das empresas comerciais quando uma empresa de TI não recebe de seu cliente, não dá para simplesmente não pagar o fornecedor pois seu grande fornecedor são seus funcionários e a folha de pagamento não pode esperar.

Para manter os salários em dia muitas empresas aumentaram o endividamento, o que resultou em R$ 574 milhões de despesas financeiras em 2015 contra R$ 415 milhões em 2014. As despesas financeiras comeram 2,7% do resultado final das empresas analisadas.

Como forma de superar a crise as empresas de TI buscam novos contratos e muitas vezes para conquistar esses novos contratos/clientes reduzem as margens com a expectativa de conseguir recuperar no futuro, o que na maioria das vezes não acontece.

O Lucro Bruto caiu da média de 25,9% (2014) para 21,8% (2015) e o lucro líquido que em 2014 foi em média 4,3% caiu para 0,5% da Receita Liquida.

62% das empresas tiveram redução de seus lucros.

Dentre os principais setores das empresas de TI destaco que as Integradoras de TI (outsourcing), registraram um Lucro Bruto médio em 2015 de 18% e um Lucro Líquido médio de 0,9%, contra 22% de Lucro Bruto e 2,6% de Lucro Líquido em 2014.

O setor de Data Centers conseguiu um crescimento de receita de 21%, mas manteve um prejuízo líquido de 11%, assim como em 2014.

No mercado mundial de outsourcing, vemos uma redução das receitas, mas com uma manutenção ou melhoria do Lucro líquido, conforme quadro a seguir.

O quadro abaixo demonstra uma compilação dos resultados publicados das empresas analisadas, que são uma amostra representativa do mercado brasileiro de TI.


(As comparações de performances acima comentadas excluíram os resultados 
da Indra e da Idéias Net, por distorcerem muito da média geral)

* Klaus Ehmke é CFO and M&A advisor

Fonte: Convergência Digital

* As ideias e opiniões expostas nos artigos são de responsabilidade exclusiva dos autores.

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